on 27 de setembro de 2013

Durante esta campanha, ouvi muita gente dizer que está farta de políticos, que não acredita no sistema, que “eles são todos iguais” e que, para exprimir as suas indignação e descrença, não ia votar. Compreendo o desânimo com o estado das coisas, mas a política que desagrada é aquela que agradecerá a abstenção. Só com a abstenção da maioria é que continuarão os ataques da austeridade e à dignidade. A abstenção é o gesto mais inofensivo, nada tem de revolucionário e, em termos práticos, não exprime qualquer indignação contra o sistema. Na realidade, não exprime rigorosamente nada. Este texto é, por isso, um apelo ao voto. Um apelo para que que a maioria decida os caminhos da nossa terra.
Posso dar um exemplo do papel da abstenção: nas legislativas de 2009, 55% das/os eleitoras/es não votaram no PS, no PSD ou no CDS. Mais de metade das pessoas não exprimiu a vontade de ter no governo nenhum desses partidos. Sabemos, no entanto, quem arrecadou bem mais de metade d@s deputad@s: com o voto de 45% das/os eleitoras/es, estes partidos tiveram um resultado de 76% e elegeram 86% d@s deputad@s.
Este texto vem pedir o fim da inércia. O voto de quem não quer este sistema, de quem está zangad@ com os favores aos privados, de quem acha que a saúde e a educação públicas são fundamentais. Sob pena de fortalecermos aquilo que criticamos, não podemos, nestas eleições, como em nenhumas outras, fingir que não é nada connosco. A austeridade precisa dessa atitude, só essa atitude pode permitir que continue a escavar por onde pode.
Em Vizela, @s candidat@s da direita têm dito que estas eleições são diferentes das legislativas, que nada disto tem que ver com ideologias ou com partidos e chegam até a dizer que as eleições nada têm que ver com política. Fazem-no certamente por lhes ser conveniente afastarem-se do ónus das políticas desastrosas do governo. Desengane-se quem achar que @s candidat@s da direita a estas eleições não estão do lado do governo. Não só concordam com o plano neoliberal que o governo impõe como ainda ajudam a traçá-lo. O discurso anti-política e anti-partidos levado a cabo pela coligação de direita em Vizela só tem tido uma fonte: a mentira. No dia 29 de setembro, podes escolher quem tem dito a verdade, quem tem tido a coragem da coerência, quem escolhe a democracia ao invés do populismo.
Não podemos continuar com isto. É por isso que a candidatura do Bloco de Esquerda é um apelo para a mudança. Uma candidatura que não engana ninguém, que não entra em discursos falaciosos, que tem um programa de devolução do público ao público. Uma candidatura que se levanta contra a ditadura da dívida e que faz propostas, 100 propostas, para a retenção de custos, a ecologia, o espaço público, a cultura, a reabilitação urbana, a justiça fiscal.
Apelamos ao voto no Bloco de Esquerda, porque não podemos simplesmente deixar acontecer. A corrupção e a austeridade agradecem e nada haverá que ponha um ponto final na austeridade. Precisamos agora de quem tenha um compromisso claro com o direito à habitação, com o serviço público, com a água pública, com a democracia.
Só quem vai votar escolhe o futuro. Tu podes escolher mudar de futuro. Vota Bloco de Esquerda.

Ana Bárbara Pedrosa