on 17 de setembro de 2013

Realizou-se ontem à noite a última Assembleia de Freguesia de Moreira de Cónegos deste mandato de 2009-2013. Ao contrário de outras ocasiões, a reunião ordinária contou com bastante público e com muitos elementos conectados a diversas forças partidárias locais, com ou sem assento nesta Assembleia. 
A noite e os trabalhos pautados por um tom por vezes informal acabaram por ficar marcados pelos assuntos do dia das campanhas eleitorais locais. Após a leitura da acta, que acabou aprovada por maioria socialista com o voto contra da CDU porque não constavam na acta as respostas do presidente da junta às questões levantadas na última sessão ordinária. Manuel Sousa, da CDU, reforçou mesmo o assunto no período antes da ordem do dia e voltou a questionar o executivo sobre os moinhos e a sua tutela "Em 2011 afirmou o executivo que existia um contrato-promessa dos Moinhos com a Junta e em junho de 2013 diz que a Junta já não tem nada a ver, e a acta da reunião deixa isso omisso, como ficamos?".
Na resposta, Paulo Renato Faria, presidente da Junta de Freguesia, comentou que esta é uma questão que "está a dar comichão a algumas pessoas" mas "volto a explicar para não haver duvidas". E continuou: "quem abraçou o projeto dos Moinhos percebeu o projeto e as dificuldades dele. Ao longo destes anos, ninguém quis comprar as várias quintas de Moreira de Cónegos, principalmente em tempos de vacas gordas. Faltaram pessoas para arregaçar as mangas e ir para o terreno. Eu, presidente da Junta, tive a possibilidade de adquirir os Moinhos para a freguesia, falei com muita gente e fizemos um contrato-promessa mas não temos o dinheiro para comprar nem nos podemos endividar com a nova Lei dos compromissos. Mas não desperdiçamos a oportunidade. Os Moinhos não surgem por acaso e têm a sua importância porque são um terreno ao lado dos terrenos municipais das piscinas. Temos um contrato-promessa, temos um contrato para entrar lá e fazer o que está a ser feito. Moreira de Cónegos tinha mais de 20 moleiros na altura e a comunidade não podia deixar perder esta história com mais de 200 anos. Este é um projeto que custa, temos um conjunto de pessoas que ajudam e depois é preciso pessoas técnicas e especialistas para a requalificação. Em julho de 2012 começou a funcionar um bar rudimentar, com pessoas que arregaçaram as mangas, fizeram festas e os Moinhos são hoje o que são fruto disso. Centenas de pessoas estiveram lá a ajudar. Há um contrato-promessa mas não sei se haverá capacidade para o adquirir. O que me custa é ver que alguns trabalham e outros de surdina a desmotivar e a desincentivar as pessoas para o este projeto comunitário. Os Moinhos entraram no Mapa Turístico de Guimarães. A Câmara Municipal colocou a melhor arquitecta a recuperar o Moinho, a responsável pela requalificação do centro histórico de Guimarães. Depois criamos uma comissão do Bar dos Moinhos para pagar as obras do Moinho. Dizem que o Presidente está sempre nos Moinhos, estive lá quase sempre, faltei apenas 4 sábados, e às vezes estou lá desde as 06h00 para que parte da nossa história não se perca. Os Moinhos vão ficar para a freguesia com a vossa ajuda ou sem a vossa ajuda" finalizou a longa comunicação o autarca.
Na resposta, Manuel Sousa afirmou que "foi um bom discurso de campanha" e questinou o porquê de não ter feito esta explicação mais cedo, "se calhar hoje não tinha essa necessidade". Sobre a explicação, Manuel Sousa diz ainda que "deu a entender que a CDU está contra, e habilidosamente esta mesa da Assembleia de Freguesia também permite isso". E acrescentou: "A CDU não está contra e até dizemos que é bom porque capta turismo, nós só pedimos esclarecimentos e informação".
Depois de alguns comentários mais acalorados e algumas "bocas" provenientes do público, a sessão entrou na ordem do dia com o único ponto a ser apresentado, atividade da junta de junho a setembro. Paulo Renato Faria voltou a usar da palavra para divulgar os trabalhos realizados neste tempo, como o acompanhamento das obras da Vimágua que deverão ficar concluídas aproximadamente no próximo dia 25 e que o percurso que está a ser intervencionado foram "os técnicos da Vimágua que disseram, tendo inclusive referido que não era necessário aumentar a distância das obras, que o problema ficava resolvido". As limpezas foram outra atividade desenvolvida apesar do tempo de férias e das limitações de recursos humanos porque a Junta só recebe "64 mil euros por ano" e não pode contratar mais ninguém para ajudar.
Manuel Sousa voltou a usar da palavra para questionar o executivo sobre as recentes novidades dos TUG (transportes Urbanos de Guimarães) que só agora surgem e sobre o cemitério. Na resposta, o autarca comentou que o caso dos TUG "leva o seu tempo porque foi uma questão que não tinha grande sensibilidade por parte da Câmara Municipal, nunca estiveram receptivos, contudo, agora, com o vereador Domingos Bragança, que vai (em caso de vitória) tutelar todos os pelouros essa revindicação será uma realidade para a zona sul do concelho. Quanto ao cemitério e às casas de banho, "só é assunto quando não há mais assunto" referiu o presidente de junta. "O Cemitério tem uma função que é enterrar os mortos, não havia espaço e tínhamos as casas de banho, qual era a responsabilidade? Alargar o cemitério. Mas ninguém quer que se crie o cemitério nº1 e o cemitério nº2 com 500 metros ou mais de distância. Mas vamos encontrar a solução para esse problema assim que a CMG quiser vamos em frente.
Neste ponto, Paulo Renato Faria mostrou-se ainda incomodado com alguns comentários do público tendo mesmo referido que "se me voltam a chamar de mentiroso peço para retirar a pessoa daqui".
A sessão seguiu com a comunicação da situação financeira da junta com uma divida a terceiros de 42 mil 562,06 euros e com um fluxo de caixa de 1897,80 euros.
No final, tempo para o público falar. Primeiro João Oliveira questionou o executivo sobre as promessas de alargamento da travessa do Bouço que foi respondida com o impasse que o projeto escolar sofreu. Paulo Renato Faria explicou que tudo estava encaminhado para que a rua fosse alargada com uma saída pela parte de baixo depois das obras do centro escolar, contudo depois da Troika o projeto encravou mas "vamos tentar fazer um acesso por baixo para que possam entrar camiões". Abílio Rogério voltou a abordar os Moinhos para perguntar o que era afinal verdade, se realmente há um contrato como foi dito nesta sessão ou é verdade o que foi dito na anterior sessão. Aqui a resposta foi dada na explicação anterior. Seguiu-se Jorge Vaz que dirigiu as suas questões à presidente da Assembleia Geral perguntando quem eram os burros nesta sessão, como a responsável afirmou (entre-linhas) numa das suas intervenções. Na resposta, Ana Maria Lopes de Sousa referiu que foi uma metáfora e que não direccionou a ninguém em especifico, "só a quem servir a carapuça". Palavras e troca-palavras que levaram alguns dos presentes a abandonar a sessão.
Ivo Ferreira também questionou o executivo se só agora é que se aperceberam, após 8 anos, que o cemitério não tinha espaço e porque foram deitadas abaixo as árvores na avenida de Silvares. Paulo Renato Faria explicou que as árvores foram arrancadas porque estavam a tapar as caixas fluviais devido à queda das folhas mas que serão substituídas por outro tipo de árvores que não prejudiquem o escoamento e que serão substituidas pela Câmara na altura devida para a plantação.
João Machado questionou também a Junta sobre a falta de uma casa e banho publica aqui para quem visita, para servir de apoio a festivais, ou eventos. A resposta foi direta "ainda não temos uma solução mas há uma ideia", embora neste momento a casa de banho da junta esteja aberta à comunidade durante o seu funcionamento. Por fim, Jorge Oliveira, um dos voluntários dos Moinhos, sentiu-se com as declarações nesta sessão sobre os moinhos e atestou "quem diz mal dos Moinhos diz mal dos habitantes de Moreira de Cónegos, se não for o sr Paulo Renato Faria a vencer as eleições, não vão ter voluntários para terminar o projeto".
As palavras finais ficaram a cargo da presidente da mesa e do presidente da Junta de Freguesia que desejaram uma boa campanha eleitoral a todos os partidos e que Moreira de Cónegos saia a ganhar com a troca de ideias.