on 8 de dezembro de 2013

Em 2011, uma equipa de arquitectos elaborou um projeto para as piscinas termais de Vizela tendo como cliente a Câmara Municipal de Vizela. Pelas imagens, este projeto deveria ser implementado na atual praia fluvial. Confira o relato dos arquitectos responsáveis pelo projeto:


"A inserção e conformação deste equipamento resulta da combinação de diversos factores relacionados quer com o local, quer com o seu uso, quer com a sua imagem. (…)


A circunstância do curso do Rio Vizela formar um cotovelo no espaço central da zona ribeirinha do Poço Quente – e o valor dessa implantação à luz do Plano de Pormenor de Poço Quente e do potencial natural das margens do rio – constitui ponto de partida e tema para este desenho.

A leve pendente do terreno em direcção ao rio, e o facto de esta se expor a Norte, sugere a necessidade de garantir uma implantação que gere o mínimo de ensombramento e, consequentemente, uma construção que não se evidencie volumetricamente em relação à altimetria natural do terreno.

A presença de uma ponte de ligação à outra margem constituiu, simultaneamente, uma condicionante e um eixo de composição do conjunto.

A aproximação às características naturais do terreno e o aproveitamento da flora já presente no local também é um dos vectores deste desenho.

Ao mesmo tempo, no sentido de gerir os custos de construção da forma mais optimizada possível, procurou-se reduzir as escavações ao mínimo: a solução passa por tirar o máximo partido da diferença de cotas, procurando uma imagem de leves muros de suporte e fazendo das consequentes plataformas, simultaneamente, coberturas, sendo que a de cota superior – relacionando-se com a estrada – se prolonga em direcção ao rio em forma de mirante.

Sendo a água o tema transversal ao equipamento e implantando-se este junto ao Rio Vizela, é inevitável tirar partido da oportunidade de integrar o rio no seu desenho. Uma particularidade do tema é a natureza das piscinas, com uma componente termal, que as separa dos mais frequentes complexos aquáticos: esta especificidade é algo que assumimos na imagem do equipamento.

Procuramos, também, uma construção com reduzidos custos de manutenção, recorrendo a materiais naturalmente coloridos sem o recurso a tintas e acabamentos superficiais (tais como, por exemplo, o betão colorido).

O acesso ao conjunto edificado é passível de se fazer a partir de diferentes cotas. A partir da cota da margem acede-se à piscina natural e, através de uma rampa, ao piso da entrada e recepção. Este piso, à cota da ponte existente, é eixo de funcionamento do complexo, onde se procede ao controlo de acessos aos diferentes equipamentos. A entrada é marcada por um espaço público que faz a ligação ao futuro parque verde a poente. À cota superior faz-se o acesso a partir da via rodoviária. A partir deste ponto pode fazer-se a fruição do miradouro ou aceder por uma rampa ajardinada ao piso central.

Em termos programáticos, propomos um complexo aquático completo, em complemento à componente termal:

Para além dos espaços técnicos e gabinetes de apoio ao funcionamento do complexo, uma grande piscina de água filtrada, capaz de receber tanto adultos como crianças através de um zonamento específico. Esta piscina é de acesso condicionado e tem o apoio de uma zona para banhos de sol.

Uma piscina termal com espaço de apoio, também de acesso condicionado, adequada a receber variados tipos de utentes e tratamentos.

Complementarmente, propomos a introdução de um espaço destinado a banho turco no programa do complexo, permitindo a uma maior abrangência de público e variedade de usos.

Todo o complexo é apoiado por um conjunto de balneários equipados com cabinas individuais de banho e zona de vestir, apetrechados ainda de cacifos garantindo assim boas condições de fruição por parte dos utentes.

Finalmente a proposta inclui uma piscina natural, integrada na envolvente, com o apoio de uma zona de deck sobre o Rio Vizela, de acesso livre e capaz de atrair uma massa inicial de banhantes para este equipamento.

Consideramos assim que a implantação deste equipamento vem tirar partido de e potenciar as características naturais deste local, podendo ainda tornar-se um equipamento charneira no desenvolvimento do espaço adjacente, quer pelo seu conteúdo programático, quer pela própria arquitectura.

Ano do Projecto
2011
Localização
Poço Quente, Caldas de Vizela – São João, Vizela
Cliente
Câmara Municipal de Vizela
Colaboração
Arq. Sara Ventura da Cruz"