on 7 de março de 2014

DISTINÇÃO ATRIBUÍDA PELA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CRÍTICOS DE TEATRO
Peça produzida em Guimarães recebeu Menção Honrosa

O Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, acolheu a cerimónia de entrega da Menção Honrosa atribuída pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro à peça “Rei Lear”, a primeira produção do Teatro Oficina estreada em 2013 cuja temática aborda uma das obras-primas de William Shakespeare, dramaturgo inglês do séc. XVI.

Marcos Barbosa, Diretor Artístico do Teatro Oficina e encenador da peça, foi o porta-voz do elenco que recebeu o prémio, tendo destacado a «importância da cultura e da criação artística» no atual contexto sócio-económico. A deslocação ao Japão, a participação em workshops e a mundividência daí resultante foram, no seu entender, fundamentais para o êxito alcançado.

O júri, constituído por Emília Costa, João Carneiro, Maria Helena Serôdio, Rui Monteiro e Samuel Silva, justificou a escolha «pela reflexão sobre o papel do teatro nos nossos dias feita a partir de um texto clássico que assumia um lugar central em todo o espetáculo, apesar da atualidade com que se apresentavam espaço cénico, figurinos e modos de elocução».

No texto justificativo, os jurados salientaram «a encenação de Marcos Barbosa, que utilizava de forma inteligente o dispositivo cénico de Ricardo Preto para interpelar o lugar dos espetadores e dos atores, expondo-se estes de forma simples e próxima, e provando, assim, a maturidade da companhia».

O júri atribuiu ainda Menções Especiais aos espetáculos «Ah, os dias felizes», pelo Teatro Nacional São João, e «Os meus sentimentos», por Mónica Calle, concedendo o Prémio da Crítica, relativo ao ano passado, ao Festival de Teatro de Almada.

“Rei Lear” conta a história da vida e morte do rei e das suas três filhas. Escrita em torno de 1605, a peça foi encenada pela primeira vez perante a corte inglesa no dia 26 de dezembro de 1606. Foi impressa em 1608 e novamente, numa versão revisada, em 1623. “Rei Lear” seria ainda adaptada repetidas vezes para o teatro e cinema.

A peça da companhia vimaranense esteve em exibição na Black Box da Fábrica ASA, entre os dias 22 e 26 de maio 2013. Encenada por Marcos Barbosa e com versão traduzida para o Teatro Oficina por Fernando Villas-Boas, a palavra fundamental partilhada com o público foi «responsabilidade». Em janeiro deste ano, a peça foi apresentada no Teatro Municipal de Almada com três sessões esgotadas.

Esta não é a primeira vez que o trabalho do Teatro Oficina é distinguido. Em 2010, a companhia de Guimarães venceu o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores para o Melhor Espetáculo de Teatro, com a peça “A Orelha de Deus”.

Fotos: João Tuna/TNSJ