on 19 de maio de 2014

“Zara regressa ao Vale do Ave para impor salários de miséria e sem direitos”

“As exportações portuguesas estão a crescer à custa do trabalho precário e de ordenados de miséria dos trabalhadores do Vale do Ave”, afirmou Carlos Silva após uma manhã passada em Vizela, onde contactou com a população, na Feira Semanal e reuniu com o presidente da Câmara, Dinis Costa.
O candidato do BE às Eleições Europeias reconheceu que a taxa de desemprego naquele concelho baixou, mas lembrou que “os números iludem a existência de um pequeno exército de mão-de-obra barata e precária, a trabalhar em garagens e em casa, sem direitos, e a receberem entre 2,5 euros a 2,8 euros à hora”. A grande maioria, acrescentou, trabalha para a Inditex, o gigante têxtil espanhol que é dono da Zara e de outras grandes marcas, e que está a deixar a Ásia para se instalar de novo em Portugal, mas “com regras e métodos dos anos 80 e com salários ainda mais baixos”.
“Os poderes públicos, a inspeção do trabalho e até a autarquia têm de intervir, para exigir o cumprimento de um trabalho com direitos, que devolva dignidade aos trabalhadores do Vale do Ave, disse Carlos Silva, que acusou este Governo e as políticas europeias de quererem “impor em Portugal um modelo económico que já não está a ser aceite pelos trabalhadores da China e noutros países asiáticos”.
O presidente da Câmara de Vizela partilhou as preocupações do candidato do BE e admitiu que há muitos trabalhadores do seu concelho que estão dependentes da Inditex, e que estão a trabalhar em condições precárias, mas realçou que também há grandes empresas que estão a contratar mais pessoal e com salários legais e com direitos.
Dinis Costa mostrou-se muito preocupado com o encerramento de serviços públicos, em particular das Finanças, instalações onde ainda recentemente foram gostos 500 mil euros e que serve não só a população de Vizela mas também residentes dos concelhos de Felgueiras, Lousada e mesmo Guimarães.
Quanto às verbas dos próximo Quadro Comunitário de Apoio, o autarca considerou que “é uma vergonha a postura deste governo. Ninguém sabe como vão funcionar as candidaturas, está tudo muito centralizado”, mas garantiu que iria bater o pé, nomeadamente no que se refere às acessibilidades, para que seja concretizada a ligação do seu concelho ao nó da A11, de Felgueiras.

Pela coordenadora distrital do Bloco de Esquerda