on 9 de maio de 2014



Guimarães homenageia Helena Sá e Costa com quatro concertos da Orquestra do Norte

Paço dos Duques de Bragança recebe espetáculos a 09 de maio, 11 de julho e 11 de dezembro. A 01 de outubro, Dia Mundial da Música, o concerto com Orquestra do Norte realiza-se no Grande Auditório do Centro Cultural de Vila Flor.
A Câmara Municipal de Guimarães vai promover, esta sexta-feira, 09 de maio, pelas 21:30 horas, no Paço dos Duques de Bragança, o primeiro de quatro concertos com a Orquestra do Norte, no sentido de homenagear Helena Moreira de Sá e Costa, pianista, concertista e professora, que faleceu em 8 de janeiro de 2006.
O vínculo afetivo-genealógico de Helena Sá e Costa a Guimarães firmou o relevante legado que dirigiu à cidade, à música e aos músicos enquanto programadora. Co-mentora do festival anual de música erudita “Encontros da primavera”, desempenhou a função de Diretora Artística desde a sua primeira edição, em 1990, até ao ano de 2000. A qualidade da programação permitiu que a então Secretaria de Estado da Cultura considerasse o evento uma “Iniciativa de Manifesto interesse Cultural abrangida pela lei do Mecenato Cultural”, desde a realização inicial. Incorporando a vertente pedagógica ao primeiro projeto, exerceu igualmente o cargo de Diretora Artística nos “Cursos Internacionais de Música de Guimarães”, entre 1997 e 2000.
A sua ação como programadora teve sempre presente uma preocupação comum na linha de conduta destes eventos: a divulgação da música portuguesa (incluindo a encomenda de duas obras a compositores nacionais), dos músicos portugueses, dos jovens músicos, e a promoção da palavra e da música, numa equilibrada articulação entre artistas de renome (inter)nacional, afamados compositores, distintas formações e instrumentos musicais, numa enorme abrangência do friso cronológico da história da música.
Foi agraciada com os prémios Moreira de Sá (1939) e Beethoven instituído por Vianna da Motta (1937); o Grau de Comendador da Ordem de Santiago de Espada (1982), o Grau de “Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada”, em 2001; e as medalhas de Mérito da Cidade do Porto (1983), da Secretaria de Estado da Cultura (1989) e o Prémio Almada (2000).
Neta de Bernardo Valentim Moreira de Sá, fundador do Conservatório de Música do Porto e do Orpheon Portuense, filha da pianista Leonilda Moreira de Sá e Costa e do pianista e compositor Luiz Costa, concluiu o curso de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa com 20 valores, tendo sido aluna de seus pais e de Mestre Viana da Mota.
Obteve o prémio Beethoven e o da Emissora Nacional em 1943. Estudou ainda com Alfred Cortot e Edwin Fischer, com o qual emparceirou em 40 concertos nas principais cidades da Europa, tocando os concertos a 2, 3 e 4 pianos de J. S. Bach.

NOME DE REFERÊNCIA NA MÚSICA
A sua atividade de concertista levou-a inúmeras vezes a Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Suíça, Hungria, Itália, Estados Unidos da América, Canadá, Brasil, Angola e Moçambique. Colaborou com todos os chefes de orquestra portugueses e com outros de grande nomeada, como os maestros Ernest Ansermet, Igor Markevitch, Paul Klecki e Swarowky.
De entre os artistas com quem colaborou em concerto, destacam-se Pierre Fournier, Maurice Gendron, Sandor Végh, Arthur Grumiaux, Janos Starker, L. Hoelscher, Ruggiero Ricci, Stich‐Randall, Rita Gorr, Zara Nelsova. Com a sua irmã, a violoncelista Madalena Costa, formou um duo de notável projeção. Ainda com a sua irmã e com o violinista Henri Mouton, constituiu o “Trio Portugália” a quem o País deve a audição de um grande reportório musical.
Professora dos Conservatórios de Lisboa e Porto, a sua ação pedagógica tem um relevo especial, reconhecido internacionalmente através de convites para a regência de cursos, entre outros, em Cascais, Espinho, Estoril, Salzburg (Austria), Gunsbach (Centro Albert Schweitzer, na Alsácia, França), Suíça, Itália, Inglaterra, Alemanha, Canadá e Estados Unidos da América.
Alunos seus destacam-se no corpo docente de muitas instituições de ensino em Portugal e ainda no Brasil, Alemanha, Espanha, Suíça, Áustria, entre outros países. Grande parte dos pianistas atualmente ativos no País dela receberam os ensinamentos. Pianistas de países como o Japão, Estados Unidos, Canadá, Brasil ou Espanha procuraram-na regularmente para receberem lições.
O seu nome contou-se entre os dos virtuosos participantes em famosos festivais, como os de Estrasburgo, Wiesbaden, Haarlem, Prades, Gulbenkian, Maiorca, Costa do Sol, Sintra, Espinho, Costa Verde. O seu prestígio incluiu-a em júris de concursos internacionais como os de Berlim, Berna, Vianna da Motta, Palma de Maiorca, Canadá, Maria Callas (Atenas), Luiz Costa (Porto) e nacionais, como os da Covilhã, Juventude Musical, João Arroyo.
De entre a sua discografia sobressai a gravação integral do 1º caderno do “Cravo Bem Temperado” de J. S. Bach; e ainda Concerto nº 4 de Beethoven e “J. S. Bach Live Recording” (Porto 2001), nomeadamente. Na Escola Superior de Música, do Instituto Politécnico do Porto, foi Presidente da Comissão Instaladora e Presidente do Conselho Científico.