on 26 de abril de 2016

Artigo de Opinião

Por falar no 25 de Abril

Antes de me apresentar enquanto Presidente da Juventude Popular de Vizela (JP), prefiro apresentar-me enquanto uma simples jovem vizelense, com reais preocupações perante o seu Concelho. 

Na passada segunda-feira, celebrámos o 25 de Abril. Celebrámos 42 anos de Liberdade. Celebrámos 42 anos das primeiras eleições livres. Desta feita, e já nascida em liberdade não consigo conceber que uma verdadeira revolução tenha um “dono”. Tenho 23 anos e, o que me fez pegar na JP em Vizela há três anos a esta parte foi, precisamente, contrariar o passado, ou seja, contrariar o afastamento entre os jovens e a política, o afastamento entre os jovens e as instituições, pois tem sido uma constante – infelizmente para todos nós – o que provoca um vazio ao nível da participação social e cívica, denotando-se uma falta de confiança na causa pública.

O nosso Concelho está de tal maneira com a “corda ao pescoço”, que chegou a hora de dizermos: BASTA! Basta de falsas promessas. Basta de ouvir o Executivo declarar que “quer uma Vizela melhor para todos”, quando aplicam as taxas máximas no Concelho, como é o caso concreto do IMI e da Derrama.

Pois bem, está mais que na hora de repensarmos sobre o futuro que queremos para o nosso Concelho e, sobre quem queremos a gerir o nosso Município! Só me faz parecer que esta gestão municipal é uma verdadeira calamidade administrativa, estando diretamente ligada à má gestão por parte do Partido Socialista, que não colocou a responsabilidade social e fiscal como prioridade, o que acabou por trazer consequências pesarosas para todos nós. Tal não fosse verdade, hoje não teríamos uma dívida de aproximadamente 19 MILHÕES DE EUROS. Sim, repito, aproximadamente 19 MILHÕES DE EUROS! Esta dívida limita e muito a liberdade da minha geração e das que se seguirão em Vizela.

Digo isto, pois desde que Vizela se tornou Concelho, desde 19 de Março de 1998, foi este o Partido que geriu SEMPRE os nossos caminhos! E onde chegámos hoje, passados 18 anos, pergunto? 

Hoje, ainda atravessamos um período sob a tutela de uma entidade externa, o PAEL – Programa de Apoio à Economia Local e do Reequilíbrio Financeiro do Município – programa este que foi o Partido Socialista quem nos trouxe, uma espécie de “Troika” das autarquias! Hoje, com a entrada em vigor da Lei 73/2013 de 3 de setembro, e de acordo com o disposto no artigo 52º do diploma, onde consta a forma como é calculado o limite da dívida, percebemos que continuamos com um endividamento excessivo, ultrapassando os valores permitidos por lei. Hoje, o montante da dívida total (excluindo os valores não orçamentais do Município à data de 31 de Dezembro de 2015) foi ultrapassado em 5.897.157€. Hoje, os Vizelenses pagam a taxa máxima de IMI, 0,5%, sendo este o imposto que se destaca no Relatório de Gestão e Execução do PAF, com maior relevo na totalidade dos impostos diretos apresentados. Estamos perante uma carga fiscal excessiva e muito pesada para todos os Vizelenses, a qual grande parte – e desenganem-se os que não acreditam – é para pagar a dívida herdada pelo Partido Socialista. Relembro que todos os Vizelenses estão a ser sacrificados sem obter qualquer retorno pelo seu esforço.

É bom que tenhamos consciência que somos nós quem está a pagar a fatura!

E por falar em Liberdade e, por falar no 25 de Abril… Vizela conquistou a sua liberdade, a sua independência no dia 19 de Março de 1998… tinha eu apenas 6 anos, talvez naquela altura não tinha consciência daquela conquista, recordando-me apenas dos tempos vividos com uma enorme euforia e emoção! Hoje, já consciente do que foi e do que foram os Vizelenses, questiono: onde estão os Vizelenses audazes, perseverantes, autênticos guerreiros, capazes de questionar acerca dos danos causados no Concelho? Danos estes, que são a mera consequência das escolhas que foram sendo tomadas por este Executivo e por todos os Executivos que o antecederam. Pasmem-se com a realidade, quer queiram quer não queiram, foram sempre da mesma cor política!

Mais uma vez, enquanto uma simples jovem Vizelense, não posso ignorar nem me conformo com a herança que está a ser entregue à minha geração… eu não fiz nada para merecer tamanha sorte!

E nenhum jovem deste Concelho pode orgulhar-se da sua passividade perante os problemas que lhes batem à porta. Falo diretamente a todos os jovens Vizelenses, que certamente não terão futuro neste Concelho, pois com taxas tão elevadas, nenhuma empresa quererá fixar-se cá, o que implicará falta de investimento e, por sua vez, desânimo nas camadas mais jovens. 

Aos jovens que por força das circunstâncias terão de deixar Vizela, é isto que pretendem deixar àqueles que tanto vos quiseram bem? Falo da geração dos nossos avós, da geração dos nossos pais, que hoje estão cansados, mas com uma réstia de esperança nos seus filhos… que estes não deixem por terra aquilo que outrora foi conquistado por eles. 

Não têm o direito de impedir uma geração tomar as rédeas do seu Município com uma dívida herdada de um passado despesista, onde foi gasto mais que aquilo que podiam!

Peço a todos os jovens Vizelenses para terem uma postura firme, audaz, perseverante como as gerações dos nossos avós e pais tiveram, só assim, poderemos deixar um caminho melhor às gerações posteriores à nossa, só assim cumpriremos Vizela! 

Fiquem com a nota: 

"Ser autêntico, viver de acordo com o que se pensa até às últimas consequências é difícil mas tem um grande prémio." Adelino Amaro da Costa


A Presidente da JP de Vizela, 
Diana da Silva Fernandes