on 24 de outubro de 2016

A coordenadora da Biblioteca Municipal Jorge Antunes, Márcia Castro, esteve neste fim de semana no colóquio 30 anos de Bibliotecas Públicas promovido pela BAD - Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas no Porto que contou com a presença do Ministro da Cultura Castro Mendes.
Neste colóquio, Márcia Castro fez a apresentação do projeto "No meu tempo" que foi um dos 5 projetos selecionados no âmbito da apresentação Projetos Inovadores do Colóquio Três décadas de Bibliotecas Públicas. A 1º edição do projeto vai terminar no dia 26 de novembro, pelas 16h30, com a inauguração da Exposição No meu tempo com fotos de Jorge Lima e Rui Pacheco e textos de Ricardo Vieira.



Já o ministro Castro Mendes, em declarações publicadas no DN, anunciou "o reforço da rede de bibliotecas municipais para desenvolver "verdadeiras redes intermunicipais capazes de ir ao encontro das necessidades das populações", oferecendo novos serviços e valências. "Aproveitando a oportunidade dada pelos fundos estruturais do Portugal 2020, queremos desenvolver verdadeiras redes intermunicipais capazes de ir ao encontro das necessidades das populações, oferecendo serviços e valências que mantenham vivas as bibliotecas", disse Luís Castro Mendes.
O ministro esclareceu que foram identificados três grupos prioritários para a intervenção.
"Em primeiro lugar, nos municípios sem serviço de biblioteca pública; depois, nas estruturas que fora da rede prestam serviço público ainda deficitário; e, em terceiro lugar, nas bibliotecas da rede com desempenho mais frágil", referiu.
A intervenção que o Ministério da Cultura pretende fazer tem em conta "a análise dos indicadores estatísticos considerados mais relevantes para o efeito, nomeadamente utilizadores ativos, novos utentes, aquisições anuais e computadores com acesso à internet em 2015".
Este novo programa de apoio às bibliotecas municipais tem como objetivo contribuir para "um serviço de biblioteca pública de qualidade, universal e gratuito, de acordo com as recomendações nacionais e internacionais para o setor em todos os municípios do país com recurso a pessoal qualificado".
Pretende-se estimular "a cooperação e o trabalho em rede entre bibliotecas, numa lógica de partilha de recursos e serviços".
É igualmente objetivo do programa promover e incentivar práticas promotoras da leitura, contribuindo para a sua democratização através das bibliotecas públicas.
"Os projetos de promoção da leitura, ao basearem-se no princípio de que o ato de ler é um processo cognitivo sociocultural e de caráter contínuo ao longo da vida, potenciam o desenvolvimento de competências e melhoram a quantidade e a qualidade dos leitores. Estamos, por isso, a trabalhar de forma empenhada no novo Plano Nacional de Leitura até 2026, em conjunto com o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior", disse Castro Mendes.
Feito o diagnóstico, acrescentou o ministro, há valências que se considera fundamental implementar em parceria com outros agentes, "desde logo o alargamento das literacias às competências digitais".
"O caminho passa também pela prestação de serviços à comunidade fora das atividades tradicionais da biblioteca, como, por exemplo, o apoio na utilização das ferramentas do governo eletrónico, informação turística, apoio às políticas de emprego e de inclusão social", apontou.
"Todos os serviços públicos que são hoje prestados por via eletrónica poderão ter assim o apoio das bibliotecas no contacto com aqueles utentes que mais longe da literacia digital estão", sublinhou.
Já em 2017, o Governo pretende avançar com um projeto-piloto, em parceria com outros agentes da administração pública e privada, abrangendo também as áreas do turismo, modernização administrativa, educação, emprego e ciência.
A tutela está "a identificar comunidades intermunicipais que respondam às premissas anteriormente anunciadas e que, sendo maioritariamente do interior, cobrem tanto o Norte como o Sul do país".
"Outro objetivo é, durante a atual legislatura, procurar repor capacidades das estruturas públicas da cultura, dotando-as de modelos orgânicos adequados à especificidade da sua missão, maximizando os recursos disponíveis para atividades operacionais, mas é claro que uma política para as literacias tem como base o livro", acrescentou.
A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, criada em 1986, pela então secretária de Estado, Teresa Patrício Gouveia, conta atualmente com mais de 200 bibliotecas municipais em todo o país, incluindo as regiões autónomas, cerca de 50 bibliotecas itinerantes e dezenas de outros pontos de serviço".


 Foto de Rui Festa